terça-feira, 16 de novembro de 2010

Há 108 anos atrás...

Avenida Rio Branco em 1902.


Hoje a Universidade Candido Mendes é uma das instituições de ensino mais conceituadas do Brasil, atuando em diversos pontos do estado do Rio e recentemente em Vitória, no Espírito Santo. Porém a história da UCAM começou há mais de 100 anos, mais precisamente em 1902 quando a mantenedora da universidade, a Sociedade Brasileira de Instrução, foi criada. Ela foi fundada pelo Conde Candido Mendes de Almeida juntamente com a Academia de Comércio do Rio de Janeiro.

Os anos de 1900, segundo o historiador Edgard Carone, marcaram a história do Brasil. O país vivia em todas as regiões um comando de poucos grupos, denominado oligarquia. O custo de vida estava alto e o desemprego já estava presente no cotidiano. Isso acabou por gerar um grande descontentamento popular, que transbordou em diversas greves operárias pelo país.

A cidade do Rio de Janeiro, então capital da República, possuía belos palacetes e casarões, mas também tinha graves problemas urbanos. A rede de água e esgoto era insuficiente, a coleta de resíduos era precária e os cortiços eram super povoados. Nesse ambiente caótico se proliferavam diversas doenças, gerando epidemias de febre amarela, varíola e peste bubônica. O presidente da República, Rodrigues Alves (1902-1906) deu plenos poderes ao prefeito Pereira Passos e ao médico Osvaldo Cruz para executarem um grande projeto sanitário.

O prefeito pôs em prática uma ampla reforma urbana, que ficou conhecida como bota abaixo, esse nome é por causa da demolição dos velhos prédios e cortiços, que deram lugar a grandes avenidas, edifícios e jardins. A principal delas era a Avenida Central (hoje conhecida como Rio Branco). A consequência imediata disso foi milhares de pessoas, em sua maioria pobre, desalojadas à força. Sendo obrigadas a morar nos morros e nas periferias, dando o pontapé inicial ao processo que culminou nas favelas que conhecemos hoje em dia.

Oswaldo Cruz assume o cargo de chefe da Diretoria de Saúde Pública em março de 1903 com o seguinte discurso: “Dêem-me liberdade de ação e eu exterminarei a febre amarela dentro de três anos”. O sanitarista cumpriu o prometido, porém algumas de suas medidas não foram bem aceitas pela população. O método de combate à febre amarela, que invadiu os lares, interditou, despejou e internou à força, não foi bem sucedida. Batizadas pela imprensa de Código de Torturas, as medidas desagradaram também alguns positivistas, que reclamavam da quebra dos direitos individuais. A lei que tornava obrigatória a vacina contra a varíola só fez piorar a situação.

Os protestos foram crescendo até se tornar o que foi posteriormente chamado de “revolta da vacina”, entre os dias 10 e 18 de novembro de 1904, a cidade do Rio de Janeiro viveu o que a imprensa chamou de a mais terrível das revoltas populares da República. O cenário era desolador: bondes tombados, trilhos arrancados, calçamentos destruídos tudo feito por uma massa de 3 000 revoltosos.

E foi nesse mundo, não tão diferente assim do de hoje em dia, que a Universidade Candido Mendes deu os primeiros passos para ser o que é hoje. Uma instituição centenária, que se firmou como referência nacional e internacional em Ciências Humanas e Sociais, reunindo mais de 20 mil estudantes e 1.000 professores e pesquisadores em um total de 16 unidades, com 16 cursos de graduação e diversos outros na modalidade tecnológica.

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